21 de fevereiro de 2013

TIRADO DA REVISTA DA ARMADA

Nº 18/ MARÇO 1973/ ANO II


Sempre fui um gajo dedicado à pesquisa e eis que consegui através da revista da Armada, uma carta de alguém que estava connosco em Vila Nova da Armada, enviada para a referida revista.
Passo a transcrever:

Do 1. o sarg. C JoFrancisco Pato, da CF3, em serviço em Angola, recebemos a seguinte carta:

«Aqui, Vi la Nova da Armada (Terras do Fim do Mundo), 28-12-72.

«Os meus respeitosos cumprimentos a V. Exa. e a todos os colaboradores da «nossa» Revista.

«Sou assíduo leitor da «Revi sta da Armada» que, embora com alguma demora sempre chega

a estas terras do fim do Mundo, onde a «briosa» está dignamente representada pela Companhia

n.O 3 de Fuzileiros.

«Já por diversas vezes tenho tido ideia de enviar notícias sobre alguns acontecimentos aqui

ocorridos, mas com receio de não serem aceites, a coisa passou.

«Hoje, devido a um lamentável acontecimento que atingiu toda

a nossa Companhia, não resisti à tentação e, dentro do possível, seria grande a satisfação de todos

os da CF3, se lessem na «nossa» Revista, o que aqui sucedeu ao mar. FZ n.o 91 /69, Ferreira (<< Chatisse» ).

«O dia 27 de Dezembro foi muito agitado para a Companhia n.o 3 de Fuzileiros. Primeiro correu

o boato, sem sabermos como, que havia terroristas perto do aquartelamento.

Sairam duas viaturas com voluntários e verificou-se que era rebate falso ...

«Depois, houve alarme, e desta vez justificado, quando o mar. FZ n.o 91/69 - Ferreira, por alcunha

o «Chatisse», desapareceu do seu posto de sentinela, nas lanchas atracadas ao cais.

«Após muitos mergulhos e muitas buscas nas margens o seu corpo foi encontrado no fundo do rio.

Tinha caído à água e morrido afogado. Todos os esforços do médico e do enfermeiro foram

infrutíferos para o restituir à vida. «A Companhia n.o 3 de Fuzileiros ficou de luto por ter perdido um

elemento que todos estimavam.

Paz à sua alma

PS: Sem dúvida alguma que era uma jóia de pessoa
Fonte: Revista da Armada



1 comentário:

  1. SEM DÚVIDA ALGUMA QUE ERA UM GRANDE CAMARADA, TAMBÉM TIVE O PRIVILÉGIO DE O CONHECER NA CF3 DE QUE FIZ PARTE COM MUITO ORGULHO. NÃO MENOS RECORDADOS, SÃO TAMBÉM OS COLEGAS QUE FALECERAM NUMA MISSÃO DE PSICO QUANDO FORAM ATINGIDOS POR UM RELAMPAGO QUANDO MENOS ESPERAVAM. RECORDO O SARGENTO NISA E O CABO MARQUES E OUTROS QUEIMADOS PELAS FAÍSCA. NA VERDADE, TODOS SENTIMOS UMA GRANDE CONSTERNAÇÃO QUANDO RECEBEMOS A NOTÍCIA. FORAM MOMENTOS MUITO DIFICEIS QUE JÁMAIS ESQUECEREMOS. PAZ ÀS SUAS ALMAS. MAS NEM TUDO FOI MAU, NO COMPUTO GERAL, APESAR DESTES TRISTES ACONTECIMENTOS E OUTROS QUE ACONTECERAM NA CF3, RESTA A SAUDADE DOS QUE PARTIRAM E O DESEJO DE VOLTAR A REENCONTRAR OS QUE AINDA SE ENCONTRAM POR CÁ E COM VIDA. UM GRANDE ABRAÇO PARA TODOS QUE LEIAM ESTE COMENTARIO E QUE FIZERAM PARTE DA COMPANHIA Nº 3 DE FUZILEIROS EM VILA NOVA DA ARMADA, ANGOLA 1972/74 QUE, QUER ONDE SE ENCONTREM, ESTEJAM BEM, COM SAÚDE E AINDA com MUITOS MAIS ANOS DE VIDA.
    FRANCISCO MAIA (O PASEIRO DA CF3)

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